Mensagens

Casa Candeeiro… nova vida!

 Daniela e Pedro… a nova Casa Candeeiro… Mercearia fina nos anos cinquenta do século passado, sob a gerência de Hernâni Lopes Correia, regalava a  clientela da elite aguedense com produtos de qualidade…  Lembramo-nos das cestas de cana apresentando o belo polvo no exterior do estabelecimento, mas também do bom bacalhau e outros produtos exclusivos… Mas o icónico local tem tradição no comércio da vila desde o tempo do seu fundador, Joaquim Tavares, mais tarde com a alcunha CANDEEIRO, pois no exterior do estabelecimento, mesmo ao lado dos Paços do Concelho,  terá sido instalado o primeiro candeeiro de iluminação pública! Joaquim Tavares e sua esposa Zulmira não terão sido os pais do Pastel de Águeda, pois este estará ligado à Ti-Quitéria e à sua afilhada (de casamento com João Breda) Libânia Loura, mas estão na génese e sabemos que a eles se deve a alteração de folhados para pastéis de caixa, dada as muitas solicitações para os enviar para fora de Águeda, ao que não se...

Nasceu uma estrela…

Imagem
 Nasceu uma estrela… Era dia 10 de Dezembro de mil novecentos e… dia em que se venera Santa Eulália, por ter sido nesse dia que o Imperador Maximiniano decretou a perseguição ao Cristãos!… Zulmira andava atarefada com a confecção dos pastéis de caixa duma encomenda que tinham de mandar para Lisboa… a Gininha com os seus dedos finos ajudava a mãe a esticar a massa nas formas… Pela cozinha entrou Joaquim esbaforido e exclamou para a mulher: -Ó Zulmira, em honra da nossa padroeira Santa Eulália, vamos criar uma nova guloseima de Águeda… -Ó homem não venhas para aqui estorvar que temos muito que fazer! Com toda a calma do mundo, que o caracterizava e que a sua grande figura continha, Joaquim Tavares numa mesa do canto da cozinha começou a reunir os ingredientes. Seria um bolo com frutos secos na massa, inspirado no bolo inglês, mas com um toque especial… BOLO DE SANTA EULÁLIA (Receita) Zulmira terminara a fornada dos pastéis (de Águeda) e estava suspensa, na expectativa de ver sair do ...

Sardinhada…

Imagem
 Sardinhas… Um almoço de sardinhas assadas fez-me recuar no tempo e lembrar as sardinhas degustadas com gosto na companhia do meu pai, no terraço de sua casa, debaixo da latada do perfumado americano… Já lá vão umas dezenas de anos…  Meu pai descia à baixa e nas peixeiras procurava a que mais lhe agradava, depois de dois dedos de conversa com o Ti-Chico Balreira e um copito no Canal 7. Depois subia a Vila e passava pela loja na Eugénio Ribeiro onde me encontrava e combinava a hora para eu aparecer…  Que maravilha a sair da grelha e a pingar na broa… à parte a salada de tomate e pimentos com cebola… E claro bem regado com tintinho do Areias!… As tias apareciam na soleira da porta e perguntavam: -Quando querem a sopa?  Era de feijão verde… que categoria! Bons tempos!

A mulher de Águeda na cozinha regional e doçaria do Séc.XX

O desenvolvimento industrial de Águeda e a vinda para a Vila da Escola Central de Sargentos, com seus alunos e famílias, causaram um incremento a nível da restauração e hotelaria no início do séc. XX. As tavernas e casas de pasto já eram muitas mas com a abertura de cerca de uma dezena de pensões e hospedarias só na baixa de Águeda revolucionam a oferta satisfazendo a clientela crescente tanto dos forasteiros que visitavam a fluorescente indústria da região como satisfazendo os sargentos e a população laboral local. Nestas salientaram-se a Pensão Santos, a Central, a Brinco, a Matilde, a Beira-Rio e a Hugo, onde o nome das cozinheiras ou o das donas das mesmas se salientava pela arte de cozinhar, como é o caso da Dona Maria Joana na Rua de São Bento (Pensão Beira-Rio, casa de pasto e taverna), da Dona Maria Brinco, da Dona    Gia da Central, com a sua dedicada cozinheira Zélia de Bolfiar e em cuja tasca o marido Augusto Zica, pontificava com o branco “faísca” e não nomeio a da...

Do Sardão a Paredes…

Imagem
 Do Sardão a Paredes… Pela estrada empedrada do Sardão vinha em passo lento o Ti Firmino . Havia passado os antigos estábulos dos cavalos das mudas, um edifício de linhas singelas construído com adobes de terra vermelha. Dentro ainda se conseguiam ver as manjedouras cavadas nessa pedra vermelha mas há muito fora de uso. Podemos imaginar o trabalho ali desenvolvido pelos dois jovens ferradores, Manuel e José, oriundos da aldeia da Breda, mais tarde submersa pelas águas da Barragem da Aguieira. Aconteceu em meados do séc XVIII. Foram eles os percursores da Família Breda em Águeda, com os seus casamentos no Sardão com jovens dali naturais. Das nossas pesquisas surge a primeira pessoa com apelido Breda, filha de Manuel Rodrigues, da aldeia da Breda, e uma senhora do Sardão de apelido Figueiredo. Foi ela Joana Maria de Figueiredo Breda. Sem dúvida a primeira Breda de Águeda. Mas voltemos ao Ti Firmino! Era neto de um antigo carcereiro da cadeia no Sardão, da Vila de Águeda, e ainda vivi...

Toca a sirene…

Imagem
  Toca a sirene… Manuel “chapeleiro” deixa o chapéu do cliente na forma e sai da loja a correr, deixando à irmã Iracene o cuidado de zelar pelo trabalho… Ao fundo da rua encontra Eugénio “regedor” que sai da mercearia ainda com o lápis na orelha… ao chegarem à entrada da rua Ferraz de Macedo aparece o Nai Girão do lado da ponte montado na bicicleta, com a canastra de transportar os cabritos no suporte e logo a larga à porta do Manuel do Talho para poder correr melhor! Aquela subida até às escadinhas da Rua de São Bento parecia não ter fim! Destas surgiu o Alberto da Joana, seguido do Casimiro Liberal… O quartel dos bombeiros era mesmo ali (hoje Bar A Palhota) naqueles currais improvisados onde o Fargo e demais material estava guardado… De cima, do lado da garagem Guerra, apareceram o Rebocho, o Manuel Relvas, o Noé, o Zé Chibeiro e outros…trabalhavam na ferragens do Amaro, do Valente de Almeida, do Silva Irmão ou do António Ribeiro de Matos na Venda Nova! A linda Fargo foi posta a ...

Dia do Amor em Águeda

Imagem
  Águeda 2018… A agitação do Agitágueda já era… de Macau veio a Associação Macau no Coração para mais uma visita cheia de alegria e cor, coordenados pela querida Ana Maria Manhao Sou…  Mas desta vez havia algo mais… no ano anterior à “sombra”dos guarda chuvas coloridos sentados num dos bancos pintados a preceito (junto ao Canal 7), o Pedro Miguel fez promessas de amor à Victoria e o pedido de casamento aconteceu com a promessa de voltarem no ano seguinte e celebrarem o seu casamento neste ambiente e cenario… E aconteceu, o 30 de Agosto de 2018 foi o Dia do Amor na Rua Luís de Camões a rua mais colorida do Mundo… os comerciantes empolgaram-se e decoraram as suas montras a condizer… o amor andava no ar…  Com a presença da Sra. Conservadora do Registo Civil e do Sr. Presidente da Câmara(Jorge Almeida) celebrou-se a cerimónia testemunhada pelos comerciantes e inúmeros populares e não faltaram as rolhas das garrafas de espumante a saltar ajudando à festa! Foi lindo… merecedor ...

A Canja de Sardinha…

Imagem
 A canja de sardinha… Casimiro regressava a casa depois de ter ido ao mercado fazer umas compras não sem passar na tasca do tanoeiro e molhar a garganta. O Barão do Souto do Rio, Ernesto Ruella, saía de casa, na sua figura negra e esguia, para fazer a sua visita matinal ao Adro… Igreja e cemitério.  Ti Lurdes expunha a fruta na porta da sua loja e esperava a clientela e o mesmo fazia o Acácio na loja em frente do patrão Varanda! Casimiro atravessou a praça e à porta da Câmara saudou quantos ali estavam cavaqueando. Iniciou a subida do Outeiro e olhou a estátua branca e falou para os seus botões: - Que raio! Não estaria ali melhor o coreto?! Onde vai agora a Música tocar? Chegou ao Outeiro e entrando em casa foi logo para a cozinha preparar a Canja de Sardinha que havia prometido a quatro amigos, entre eles o Dr. João Cura, que lhe havia dado a receita e queria ver se tinha sido bom aprendiz!… Despejou a saca das cebolas e dos tomates coração de boi, carnudos como se quer. Cuid...

O Cimbalino…

Imagem
  O Cimbalino… Os canários cantavam ao ritmo da plaina do mestre Chico Balreira…  A rua de baixo tinha o movimento atarefado dos sábados de praça e o prestável Júlio ali passou com o seu carro de mão fazendo uma entrega de tabaco do armazém do João Lemos.  Na rua lembramos o forno do ti Abel e da ti Maria da Benta onde assava leitão e depois os vendia inteiros ou a retalho,  preservando-os no balcão debaixo de um mosquiteiro de forma arredondada. Também ali na rua existiu a oficina do Canário, que terá sido um dos primeiros sócios da Camionagem Azeitonas de José Novo da Cruz, juntamente com o Dr. António Breda. Um incêndio nesta oficina estará na origem da fundação em Águeda da corporação de bombeiros… e contava a minha tia  que nunca um incêndio de tais dimensões havia Águeda vivido e que se lembrava de ver o Sr. Gil Brinco de machado em riste dar um golpe na porta da garagem e desta ter saído uma língua de fogo  que atravessou a rua! Após isso as gentes d...

Da Voz do Botaréu à Festa dos Pobres

Imagem
 Da Voz do Botaréu às Festas dos Pobres...   Nas noites quentes de verão o Largo Conselheiro Albano de Melo e o paredão da margem do Botaréu enchia-se de gente a passear à beira-rio, aproveitando a frescura que era dada pelas águas correntes do nosso rio... Dos altifalantes do pequeno estúdio do Tenente Flores entoavam os sons da Voz do Botaréu! ⁃ “Teus olhos castanhos de encantos tamanhos são pecados meus…”, cantava uma das vozes da rádio na época, Francisco José! A Voz do Botaréu foi uma iniciativa do Tenente José Flores, enfermeiro militar que veio para Águeda e por cá ficou depois de ter cuidado os feridos do Combate das Barreiras na “Traulitana”. Tinha consultório no mesmo edifício, onde esteve o café Zip-zip e agora o Gambrinus, mas virado para o rio… A Voz do Botaréu animava aquelas noites da baixa ribeirinha na praça jardim Conselheiro Albano de Mello e pela margem do rio, e, até lá, eram atraidos não só os jovens, mas também famílias que passeavam seus filhos. Lembro ...

Do Fricassé ao Botaréu…

Imagem
  Do Fricassé ao Botareu!… Pela travessa da Venda Nova chegou ao largo da vetusta capela do mártir… Um belo figo pendia da figueira, junto ao muro da casa vizinha, como a convidar a ser apanhado... Olhou o velho chafariz, mas optou por entrar na Zínia e beber um branquinho, embora ali no largo a oferta fosse variada! Dois dedos de conversa de circunstância com conhecidos ali presentes, entre eles o amigo Eduardo Fataça e seguiu em direção à baixa. Descendo a rua passou a casa onde a ti - Rosa “Floca” orientava a fila dos que vinham para o prato de sopa (Sopa dos Pobres), e eram tantos naqueles anos de míngua… Já na Praça Nova dobrou a esquina da farmácia Vidal, onde quando muito jovem fora aprendiz e embrulhara muitos comprimidos em folha de hóstia. Recordou uma estória  passada com um dos farmacêuticos que por ali passou... Ele era de estatura baixa e um dia vendo a bicicleta do Tavares “Candeeiro”, homem de grande figura, ali parada ao lado à porta da mercearia do dito, quis...

Sabor a mar…

Imagem
 Sabor a mar…   Ao Cais das Laranjeiras chegava o peixe fresco vindo da beira-mar.  Na maioria a prateada sardinha e petinga, mas também os luzidios carapaus. Tudo era descarregado às mãos das peixeiras que, descalças, numa correria pelo carreiro e mais tarde pelas graníticas escadas as levavam dos mercantéis para os armazéns dos comerciantes ali no Barril, onde também era armazenado o sal. A sardinha era então salgada e ficava à espera da vinda dos almocreves que depois a levariam para as serranias até para a beira interior, mas também para a região bairradina. No entanto à chegada uma parte era vendida e transportada fresca, o que fazia o deleite de quantos a podiam comer de mil e uma maneiras: assada, cozida, frita, de caldeirada, etc. A que não fosse consumida no dia era logo salgada… nada se podia perder. Um raminho salgado junto com o fino bacalhau, as batatas e as couves, com um fio de azeito faziam a delícia ao escoado ou como muitos diziam ao trezentos e sessenta...

Na Rua da Cancela…

Imagem
 Pela Rua da Cancela!   Contornando os combros pejados de negras amoras enveredou pela viela do quartel do 3. Batalhão do Regimento de Infantaria 28 e desceu a ladeira do Outeiro até à Praça Velha. Ao passar à taverna da ti-Maria Benta o cheiro a tripas entrou-lhe pelas narinas, como um desafio, mas o seu destino era outro e não entrou para o petisco. Chegou à Cancela! Das janelas das casas baixinhas pendia roupa a secar e o aroma a pão quente despertou-lhe os sentidos. Vinha do forno dos Guerra e à porta estava a roliça Libânia “Loura” despedindo-se da Alda, da Viela dos Padres, que punha o açafate à cabeça com os doces que iria vender domingo à saída da missa! Entrou e deparou-se com a azáfama do amassar, tender e enfornar… Libânia regressou para a amassadeira, tinha fornadas de folares a fazer e ainda uma encomenda de pão de ló, para não falar nos folhados recheados da receita da ti- Quitéria, que prometera levar à casa do Coronel na Rua de Cima! Jacinto ficou por ali a olh...

Um casamento… naquele tempo!(Texto completo)

Imagem
 Há umas semanas atrás publiquei o início da história de um casamento à moda antiga na nossa região com a informação dos pratos da nossa cozinha então servidos… Na altura ficamos na canja de galinha… Agora vamos dar continuidade mas começamos do princípio para não perderem o fio à meada!    #historiascomreceitas Um casamento... naquele tempo!   Os foguetes estalejaram no ar! Ia ser dia de festa de arromba e ao Largo da Nossa Senhora da Graça, na Vila de Assequins, começaram a chegar os rapazes que acompanhavam o noivo. Todos de jaqueta ou colete preto e chapéu na cabeça. O noivo trajava jaqueta branca e no chapéu preto pendiam duas borlas brancas. Os convidados teriam nos seus chapéus pendentes duas borlas pretas. Tinha sido essa a exigência do pai da noiva para evitar o aparecimento de penetras, ou melhor, intrusos sem convite para a boda!   O pai da noiva era um abastado lavrador de Assequins, com terras de milho nos campos do Águeda e quintas na parte alta da...