Casa Candeeiro… nova vida!

 Daniela e Pedro… a nova Casa Candeeiro…


Mercearia fina nos anos cinquenta do século passado, sob a gerência de Hernâni Lopes Correia, regalava a  clientela da elite aguedense com produtos de qualidade… 

Lembramo-nos das cestas de cana apresentando o belo polvo no exterior do estabelecimento, mas também do bom bacalhau e outros produtos exclusivos…

Mas o icónico local tem tradição no comércio da vila desde o tempo do seu fundador, Joaquim Tavares, mais tarde com a alcunha CANDEEIRO, pois no exterior do estabelecimento, mesmo ao lado dos Paços do Concelho,  terá sido instalado o primeiro candeeiro de iluminação pública!

Joaquim Tavares e sua esposa Zulmira não terão sido os pais do Pastel de Águeda, pois este estará ligado à Ti-Quitéria e à sua afilhada (de casamento com João Breda) Libânia Loura, mas estão na génese e sabemos que a eles se deve a alteração de folhados para pastéis de caixa, dada as muitas solicitações para os enviar para fora de Águeda, ao que não será estranho a presença dos Sargentos da Escola Central e suas famílias. 

Pois nesse estabelecimento, fundado em 1817, Joaquim Tavares “Candeeiro” e esposa terá tido a sua mercearia e taberna com belos petiscos, ao fundo do estabelecimento na gruta onde vendia os copinhos de branco e tinto a uma variada clientela que frequentava a baixa da vila para vir às finanças ou à câmara, cumprir com as obrigações ou tirar alguma licença… mas também aos funcionários da finanças, os ditos militares e os operários de algumas fábricas como seria os da Louça do Outeiro. O ti-Manecas Costa era cliente assíduo… e outros colegas das finanças, tesouraria e câmara lhe seguiram as pisadas….

Mas para não faltar ao relato lembrar que a Casa Candeeiro também teve hospedaria e a filha Gininha ali vendia os Pastéis de Águeda que confeccionava a preceito… mas também o maravilhoso Bolo de Santa Eulália criação de Tavares “Candeeiro” em louvor à Padroeira da nossa Vila. Este bolo era feito por altura do Natal, com receita própria a lembrar o bolo inglês e com o formato oval. Em boa hora a Confraria Enogastronómica Sabores do Botareu, no ano da sua fundação (2012) reavivou essa tradição com um concurso junto das pastelarias de Águeda e foi um sucesso mantendo-se a sua confecção viva até hoje, sendo considerado o Bolo de Natal de Águeda…

Uma nota interessante sobre a Casa Candeeiro a existência na Costa Nova da Pensão José das Hortas que era sua propriedade e exploração!

Mas a memória dos mais atentos levam a Casa Candeeiro para a Mercearia do Sr. Hernâni e com o seu desaparecimento a tentativa de permanências por seus familiares gorou-se e o último proprietário foi o amigo Zé da Urgueira que com esposa Da.Clara lá foram aguentando o negócio por quatro décadas. As obras no edifício e a sua venda ditou o encerramento!

E, vai, senão quando… há um milagre no AgitÁgueda renasce das cinzas a Casa Candeeiro e pela mão da Daniela e do Pedro surge um simpático bar com bebidas e petiscos e produtos tradicionais e regionais…

Como ficamos felizes em saber isso e, na primeira oportunidade, lá fomos!

Gostamos!

Parabéns Daniela e Pedro!


E já agora convido-vos a ir lá beber um copito e não esqueçam de ir espreitar a gruta… dizem que dava para o poço da misteriosa água do Botaréu que corria para o Rio Águeda… 


João Carlos Breda

In retalhosdeaguedaantiga.blogspot.com

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