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Domingo de Páscoa

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Domingo de Páscoa! O cheiro a rosmaninho inebria o ar... As ruas alegram-se e pintam-se de colchas à janela... A Alvarense desfila, com os primeiros acordes a tocar... Tuba, trombone, requinta... E este belo quadro sem tela, venha o pintor que melhor o pinte! Aleluia! Aleluia! Junco, lírios e alecrim... Flores desta terra bendita, Que perfumam este rincão... E eis os irmãos de escarlate cetim! Aquieta-se o povo... Bando de anjinhos de pés no chão... as asas são de algodão! Vai passar a procissão! Aleluia! Aleluia! Cristo ressuscitou! Música de Agueda relembrada Roma repõe tal e qual É alma d’um povo expressada na arte musical... E na pauta, o genes de suas Raízes... a sensibilidade de seus autores para o andamento final... Aleluia! Aleluia! Já lá vem o Senhor Prior com a sineta a tocar! No altar Cristo na Cruz... Amêndoas de muita cor... A laranja é tradição... e a moeda de prata benção ... de quem espera o momento, de ver pela casa entrar, a Cruz da Salvação e, de joelho em...

Romaria da Caçoila

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À sombra da pequena latada do pátio frontal à sua casa, Meste João Breda improvisou o seu atelier e pintava à mão os pratos de faiança alusivos à próxima Romaria da Caçoila e que seriam a recordação desse ano para os convivas presentes. A romaria estava para breve... “Sete semanas depois da Páscoa por volta do mês de Junho, ao pintar das primeiras cerejas, o S. Geraldo acena de Bolfiar, com as suas bandeiras. Esta é uma das grandes romarias que existe no concelho de Águeda, trazendo muitos devotos de fora do concelho. O sítio é lindo. Os rios Águeda e Alfusqueiro encontram-se nesta localidade – Bolfiar.” Com cuidado, o Mestre lá ia inscrevendo o nome dos participantes: José Augusto, Modesto, Quim Moreira, Martins, Hernâni, Adolfo, Cruz, Carlos, Jaime, Manuel, José Vicente, Balantas, Almeida, António... etc, etc. Na decoração do prato a respetiva caçoila de barro preto ou não fosse a comezaina à volta dessa iguaria – a lampantana - um dos pratos típicos da região cuja tradi...

Judeus de Águeda e suas judiarias...

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Com a recente apresentação de uma nova doçaria de Águeda - os Judeus - pela Pastelaria Flor do Vouga, conclui-se que se pode inovar sem desvirtuar o existente. Tendo como base o Pastel de Águeda tinha tudo para singrar e apenas faltava dar sustentabilidade ao nome. A Confraria Eno-gastronómica Sabores do Botaréu foi solicitada para dizer o porquê de os de Águeda estarem cognominados de Judeus! Coube-nos fazer essa pesquiza mas pouco ou nada encontramos acerca da existência de Judeus na região. Não se encontram vestígios que nos apontem para a sua presença, a não ser alguns receituários antigos que em algumas famílias permanecem e passaram de geração em geração e que demonstram alguns cuidados então seguidos pelos cristãos novos para demonstrar a sua total cristianização... Mas judiarias encontramos muitas... Assim baseado em outros escritos de cronista, livros de autores aguedenses e relatos dos mais antigos aqui deixamos o nosso contributo para a clarividência do porquê de sermos ...

Procissão dos Passos...

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Com uma amêndoa na boca e o cartucho no bolso esperava ansioso pela passagem da procissão... O sino na torre da igreja tocava a compasso anunciando que a dita já saira da Igreja. Era sexta-feira dia da Senhora ir para Paredes. Enquanto minha mãe, irmã e tias tinham ido para a Igreja, eu tinha vindo com o meu pai ao Café Santos, onde ele me comprara um pacote de perfumadas amêndoas brancas e cor de rosa, e agora, abrigando-me duns pinguitos de chuva que iam caindo, ali estava eu, expectante, nos degraus da entrada do café... A rua de cima estava como se fosse dia... em todas as janelas tremeluziam velas e havia algumas casas com gambiarras de lâmpadas... Então, na esquina da Farmácia Vidal surgiram as primeiras lanternas e a Cruz da Irmandade das Almas que abria a procissão... Lado a lado os irmãos seguravam os seus círios iluminados e em breve se aproximou o andor da Nossa Senhora da Soledade, suportado por seis homens, três de cada lado, que batiam cadência do andamento com ...

Passeio em família à praia...

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O sol ainda não nascera mas o tons celestiais, que adivinhavam a alvorada, diziam-nos que vinha aí um dia de calor estival... O grupo começara a juntar-se no largo junto à Câmara e as cestas com os farnéis aglomeravam-se nas escadarias dos Paços do Concelho. Na Rua de Cima (Luís de Camões) surgiu uma viatura... Era a camioneta dos Azeitonas que vinha da sua garagem em Além da Ponte. Esta camioneta fazia a carreira regular para o Caramulo, mas dado ser domingo, havia sido alugada pelos trabalhadores da Fábrica do Outeiro para ir passear com as famílias até às praias... O condutor, o Ti Alberto da Joana, tratou logo de começar a organizar a arrumação dos farnéis. Entretanto o João Breda começou a fazer a chamada: Raul, Manué, Benedito, Maria, Manel, Lanheses, Carvalho, Fataça, Rachinhas, Albino, Bério... Bério! Faltava o Bério! O Bério vivia no Sardão e tinha-se atrasado... De súbito alguém gritou: “já lá vem!” De fato ao fundo da rua surgiram dois vultos... Era o Bério com a Lola...

Revivendo...

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O sol de inverno aquecia aquela manhã de Dezembro... O Natal estava a chegar e as ruas da cidade animavam-se já com os transeuntes atarefados nas primeiras compras natalícias... Sentado na esplanada da Trigal esperava o café e o Pastel de Águeda que havia pedido e perdia o meu olhar naquele mar de anémonas brancas, que mais não eram do que os guarda-chuvas brancos que ornamentavam a Rua Luís de Camões numa decoração “sui generis”... De repente vi Águeda da minha meninice... ali Casa Coelho, onde eu ia comprar a goma arábica para colar os cromos da bola... a seguir o Barão do Souto do Rio, aqui o Águeda Elegante, retrosaria e alfaiataria do Sr. Lé Matos, ao lado a loja de fruta da Sra. Lurdes onde ia comprar 5 tostões de rebuçados de jogadores... Aqui Em frente a Loja da Sra Anita Brinco, onde minha avó comprava a mercearia e onde o Ti-Zé Breda tinha a sua branquinha de relojoeiro... e ao lado a venda de tecidos e afins da família Telha onde minha mãe comprava a fita de nastr...

A Rua da Cancela...

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“É lindo de ver, nas temporadas de inverno. Como esse rio, mansinho e humilde corre, trepa irozo aos cambalhões e aos botaréus da Villa, ei-lo aí vai, ao longo de algumas ruas, de porta em porta e de lojão em lojão, a cumprimentar os moradores, com a sem cerimónia d’um velho hospede que se espera todos os anos. E entra, e instala-se com comodidade, ou seja na rua de Além da Ponte ou na Rua de Baixo, e por lá se deixa ficar, às vezes dois dias e mais”. (Adolfo Portela, in Águeda). .... Assim era e continua a ser... as águas vêm de mansinho e tomam conta de tudo como um velho senhor resgatando o seu feudo... Naquele ano, face à chuva incessante que caiu nas serranias, rapidamente o caudal do Águeda engrossou e transbordou e com ele a Ribeira do Ameal e o campo de Assequins transformou-se num lago. Na vila ouvia-se amiúde dizer “o rio vai gordo! “ e a baixa entrou em alvoroço. A Rua da Cancela foi a primeira a ser visitada sendo as lojas rapidamente alagadas e de seguida a Rua de B...