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Meninice...

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Ao comer um dióspiro voltei à meninice... ao tempo dos longos dias passados em casa dos avós Arminda e Adriano em S. Pedro... lembro ver os dióspiros alinhados na janela ao sol...primeiro para amadurecerem, longe da pardalada, depois para ficarem mais quentinhos nos dias frios de inverno...  Estavam reservados para a avó mas lá íamos tendo direito a nos deliciarmos com um ou outro quando já rachados se sorriam para nós!    A casa dos avós era a casa de todas as brincadeiras... aquele pátio de cimento foi palco de inúmeras voltas a Portugal em “carecas”(bicicleta) e os protagonistas tinham nomes: Alves Barbosa, Peixoto Alves, Sousa Cardoso, João Roque, Jorge Corvo, Francisco Valada e todos os outros do enorme pelotão onde as equipas do Benfica, Porto e Sporting, ombreavam com a do Sangalhos, do Tavira, da Asas de Alpiarça, do Louletano entre outras... e nós, de cócoras, lá íamos com golpes de indicador percorrendo as estradas marcadas a giz no cimento do pátio... era uma a...
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  Escola Central de Sargentos... O Ano de 1926 foi um marco importante para Águeda...  De Mafra veio para a nossa Vila a Escola Central de Sargentos... Instalou-se no quartel do antigo 3. Regimento do Batalhão de Infantaria 28 e  nela passaram a ser ministrados diversos cursos de especialidade militar (Serviço Geral e Serviço de Material) e de promoção a Sargentos Ajudante e mais tarde para ascensão de sargentos a oficiais... a divisa na porta de entrada dizia: “Aqui preparam-se futuros Oficiais” Os Sargentos vieram para Águeda... com eles vieram as famílias e Águeda aumentou a população residente... as casas de renda começaram a escassear e quem tinha quartos disponíveis passou a tirar algum rendimento para ajudar a economia familiar...  As Pensões económicas proliferaram na Vila e todas albergavam os alunos da ECS, mais tarde Instituto Superior Militar... na velha Rua da Fonte havia a Pensão Matilde(mais tarde Pensão Negrão), na praça nova a Pensão Sousa... na Rua ...

... uma tricana de Águeda...

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Uma tricana de Águeda... A 14 de Outubro de 1918 nascia na Rua da Cancela em Águeda a primogénita do casal Arminda e Adriano, que baptizaram com o nome de Maria de Lourdes... Foi sempre aluna brilhante e fez a primária com distinção... O cuidar da casa de seus pais e ajudar a criar as irmãs então nascidas: a Alice, a Lídia e a Argentina, não lhe permitiram outros estudos...  mas também a família era humilde, o pai, vindo de Sever do Vouga, herdara a profissão de canastreiro do avô  Belchior e a mãe costurava para as tendeiras de Águeda: aventais, blusas e outras coisas mais... Quando já a viver no S.Pedro, onde os pais construíram casa, sobranceira à Villa Paulicea, para cuja Dona (Carneira) a mãe passou a ser costureira, descia à Vila para participar nos Ranchos dos Santos Populares, onde o pai colaborava como músico, desencaminhada pelos irmãos António e Bernardo Ribeiro, ainda familiares do ramo dos Guerra, e assim conheceu aquele com quem viria a casar... o João Breda, jov...

Responso a Santo António...

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RESPONSAR ou ARRESPONSAR O recente post publicado na página Filhos de Sever do Vouga pelo amigo Albano Macedo, fez-me recuar no tempo e lembrar minha avó Arminda que tinha fama de boa “arresponsadeira”... lembro-me das pessoas a elas recorrerem não só por causa de algo perdido mas também para por intercessão de Santo António obterem algum benefício ou desejo concretizado... e quando o responso lhe corria bem, dizia ela que via o Santo António a vir do lado da Borralha... isto porque vivia em S.Pedro, sendo a casa sobranceira à Quinta da Paulicea e por isso tinha a Borralha no horizonte... Com a devida vénia aqui vai o texto postado pelo amigo Albano Macedo, pois trata-se de algo que não se pode nem deve perder por pertencer às raízes da nossa gente... “RECORDAR COISAS DE ANTANHO...E NÃO SÓ... "RESPONSAR ou ARRESPONSAR” Naqueles tempos de antanho, a vida tinha outro valor e dava-se valor aos nossos valores. Quando desaparecia um animal (perdido, por exemplo), logo se recorria à “ar...

Rua da Cancela...

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Rua da Cancela, hoje Rua Soberania do Povo... nos tempos de antanho havia mesmo uma cancela que fechava a entrada da Vila do caminho do campo que vinha de Assequins...  Na memória viva da minha tia Lídia (Maria Lídia Soares de Melo, com 95 anos de idade) aquela rua bem podia ser a rua dos Guerras... segundo o seu relato, começava na esquina (hoje o redondo) com a Taberna da Ti-Luísa, a mãe do Afonso Guerra, do Ti-Chico “Carteiro” e do Bernardino da Macária. Seguia-se a casa da Macária e logo a casa do Guilherme Guerra. De seguida a casa do José Morais e depois a casa da minha bisavó, Júlia de Melo Trindade Guerra. A casa seguinte era a da Libânia “Loura” Guerra, a doceira que deliciava as casas de Águeda, que casou com Bernardo Breda e teve três filhos: João, Samico e José.  Seguiam-se mais algumas casas onde vivia a Sra Sucena de Assequins e o Martins “marceneiro”... Na esquina da confluência com a Rua de Baixo havia a taverna da Tia Lídia (irmã de minha avó) que foi casada c...

Caldeirada de Enguias à Murtoseira

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  Os barcos estavam alinhados lado a lado junto ao cais das Laranjeiras. A carga já tinha sido descarregada e os mastros arreados. Os barqueiros estavam nas tascas do Barril e rua de S.Bento a beber umas picheiras de maduro e uma postinha de carne assada...as sardinheiras já tinha ido pela Vila e arredores a apregoar o seu peixe e os almocreves já iam serra acima com as suas récuas de machos a campainhar... No largo a garotada voltava à brincadeira, ao eixo e à macaca, enquanto a Ti-Iria compunha a fruta do seu “kioske” esperando a clientela... O Ti-Jacinto manteve-se na embarcação... havia prometido a Ti-André    e ao Balreira que lhes iria fazer uma caldeirada de enguias à moda da sua terra... Da caverna do mercantel Ti-Jacinto retirou a lata onde rabiavam as enguias... haviam sido apanhados no dia anterior na safra do moliço na ria junto ao cais do bico...na Murtosa. Com a pequena navalha começou a amanhá-las... cortou-lhes as cabeças e com destreza retirou a tripa jun...

Quimera (poesia)

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 Quimera... Andaste não sei por onde... Desapareceste! Agora o verão vai acabar... E sei que vais voltar... Serena como partiste!... Porque sabes... sabes que eu sou o porto seguro onde te podes abrigar... E vais no meu ombro te encostar... Nos meus braços te enroscar... E eu com os dedos nas ondas do teu cabelo navegar... sonhar..: Até que vagas de espuma salpiquem as minhas faces e me façam acordar! .... As noites longas de inverno virão E ao calor da fogueira aquecerei meu coração e lembrarei como era bom estar contigo... No sossego... no aconchego... na solidão... Será assim na lenta espera do outono da vida... E recordarei com saudade teu riso cristalino e aqueles momentos de pura magia... Depois... depois...  sei que voltarás para mim! E a primavera voltará a florir... Joao Carlos Breda (reservados direitos de autor) Agosto2020