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Coisas das Gentes de Águeda…

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Coisas das gentes de Águeda… O bisavô materno José Pedro Soares de Melo (com um só “l”) era um “homem das arábias”… foi funcionário público e foi Fiscal de Impostos na Câmara de Águeda mas também em Sever do Vouga e mais tarde em Condeixa ou será Mealhada (onde foi constituir uma segunda família…). Mas ele era um idealista e dizia que a sua ascendência era inglesa, pondo na cabeça das filhas, minha avó Arminda e mais sete: Maria, Ana, Teodorina, Magna, Lidia e Iva e no filho varão seu homónimo José Pedro, que seria descendente de um inglês que tinha vindo combater no Bussaco integrado nas tropas do Marechal Wellesley ( mais tarde Duque de Wellington)!  A propósito disso fez-me escrever um artigo de ficção sobre o “tambor-mor” das tropas de Wellington “Millan = Melo ou o descendente inglês que veio para Águeda...”!(ver em retalhosdeaguedaantiga.blogspot.com). Na minha pesquisa genealógica conclui que o meu bisavô seria filho do seu homónimo José Pedro Soares de Melo, barqueiro do ba...

Domingo de Páscoa (III)

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Recordando… Chegava o Domingo de Páscoa... Minha mãe já tinha posto a toalha de linho rendada na mesa oval em frente à porta de entrada. Meu pai iria preparar o altar e seria ali que receberíamos, ao princípio da tarde, a Visita Pascal... Colocado o Crucifixo... uma laranja coroada com uma moeda de prata... uma jarra com flores do jardim e a tacinha com as amêndoas para os garotos que acompanhavam o Senhor Prior: o da caldeirinha e o da saca para levar as amêndoas...  Na sala de jantar, depois do almoço em família, que nesse dia foi Galo Assado no forno com arroz de açafrão, em algumas casas escolhem outras ementas como por exemplo o Cabrito Assado no forno com batatinha nova... mas em minha casa o meu pai tinha gosto em criar um lindo galo para o Domingo de Páscoa... As doçarias eram as tradicionais: aletria,  leite-creme e arroz doce... e o Bolo da Páscoa, duma fornada, que uma semana antes tinha minha mãe ido amassar com ajuda da Maria Fataça e depois cozido no forno da “Ma...

Amores Proibidos (Romance ficcionado versando a lenda da Bicha-Moura)

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  AMORES PROIBIDOS 1. Capítulo Portucale… a conquista cristã. O sol raiava por entre os pinheiros e começava a aquecer o manto branco da neve caída durante a noite, que aos poucos ia derretendo. Lovendo Ramires sentado no alto penhasco recebia o calor do astro rei e com olhar astuto perscrutava o pequeno planalto da Cabreira como que algo esperando… De repente um ruído de cascos anunciou a entrada naquele redondel natural de uma dúzia de garranos liderados por um irreverente garanhão negro azeviche que com mirabolantes pinotes parecia querer saudar o jovem Lovendo! Na verdade havia já entre eles uma atração misteriosa e Lovendo desde que o vira pela primeira vez naquele local, não mais deixara de ir até lá para o ver…. Antes de abandonar o local, desceu do penhasco e lançou um assobio ao que o negro garanhão respondeu com um relincho e em lento trote se aproximou do jovem. Este tirou do alforge, que trazia a tiracolo, um maçã vermelha que deu ao cavalo. O garrano resfolegou, recebe...

Águeda minha…

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Águeda…Formosa… As águas do teu rio Te beijam ternamente… Mas se a chuva cai a fio Desce a serra, impetuosa E te abraça irreverente! Águeda…  sedutora e bela És cantada por quem te fez fado Poetas e prosadores D’Alma até Portela Muitos Ilustres doutores  E até p’lo menos letrado… Águeda…  bela e sedutora De bonitas tendeiras Da serrana linda pastora  Do Coro das Lavadeiras Das ladinas sardinheiras, Salineiras e regateiras… Águeda…  sedutora e bela Do povo que lavas no rio Cantada por ti Amália  Nos poemas de Homem de Melo  Do folclore colorido Dos Viras e do Malhão Dançados ao desafio Algures ali pelo cais: Ò linda farrapeirinha Também eu para te ver Saltava trinta quintais… Águeda… Linda e airosa! Da Venda-Nova e Barril Menina formosa Por todos amada Com ar tão gentil Tua beleza é infinda Faz de ti chamada Águeda a Linda Águeda…  Matriarca Tanto filho de ti nasceu Muitos mais amamentaste,  E a todos por igual Com desvelo acolheste  E mu...

Olha a faneca!

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  Depois da minha volta matinal, não madrugadora mas sim antes de almoço, onde aproveitando uma aberta nestas chuvas de início de verão, fui à MEO à farmácia e recolher o passaporte renovado, resolvi almoçar na avenida… Ementa seleccionada: Sopa à Lavrador e Faneca frita com feijão frade… já tinha saudades de comer fanecas fritinhas… e não hesitei na seleção! Ao degustar as fanecas e ao chuchar as cabeças, coisa que gosto imenso em qualquer Peixe… encontrei duas pedrinhas brancas e lembrei-me do que me diziam as tias Tininha e Lídia, que na sua meninice,    quando havia fanecas na mesa da avó Arminda e do avô Adriano “Canastreiro” e elas pediam aos pais que ao chuchar as cabeças das fanecas lhe guardassem as “santinhas”! As “santinhas” eram exactamente essas pedrinhas na mioleira desse peixe… e que transformavam em “santinhas” para a brincadeira dessa tarde… E aqui fica mais uma memória das minhas tias, que gosto tanto recordar… E quando tiverem a oportunidade de comer fa...

Pelo Bairro do Barril…

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  …na praça Dr. Elisio Sucena, Largo Senhora da Boa Morte… Cais das Laranjeiras mas também antigo Bairro do Barril… no passado um dos mais populosos da vila, local onde labutavam e viviam barqueiros, pescadores, sardinheiras, saleiras, regateiras e comerciantes e quem mais?  Os almocreves que aqui carregavam sardinha ( leia-se peixe) e sal, para levar serra acima nos costados dos seus jumentos… Aqui nasceu e viveu meu bisavô materno José Pedro Soares de Melo, filho de pai de mesmo nome e neto de João Pedro Soares de Melo… seriam barqueiros??!! Dados bibliográficos bisavô materno: José Pedro Soares de Melo (Fiscal de Impostos), casou com Júlia Trindade de Mello Guerra, filha de António Pinheiro e Josefa Rosa. Filho de pai com mesmo nome José Pedro Soares de Mello(Barqueiro) e de Maria Fortunata (ou Maria de Jesus Noronha?), neto de Joaquim Pedro Soares de Melo, casado (1825)com Anna Pinta de Resende e bisneto de João Pedro Soares casado com Rosa Joaquina de Mello… In retalhosde...

… judiarias

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 … judiarias Minha mãe Maria de Lourdes ajudava a tia-avó Ana Balbina, irmã do avô José Pedro Soares de Melo, na sua loja de panos e fazendas, na esquina do Largo Senhora da Boa Morte com a Rua Ferraz de Macedo…  Sua mãe, a avó Arminda costurava para ela peças para venda na loja e pelas tendeiras de Águeda nas feiras: aventais, blusas, saias, saiotes… coisas simples… A outra irmã da Tia Ana Balbina, a Tia Cândida, tinha loja similar na esquina (nó) da Praça Conselheiro Albano de Mello com a Rua Luís de Camões, onde mais tarde esteve o Bazar Gomes e a Pastelaria Santa Eulália… e quem lhe deu seguimento foi a filha Júlia “Nó”e depois sua filha a Rosa “Nó”. A tia-avó Ana Balbina não tendo filhos, embora tenha sido casada com o “doutorzinho dentista”, como era conhecido na família, que exercia no consultório no primeiro andar por cima da loja e que tantas histórias originaram e eram contadas em surdina na família, indicou à sua morte, minha mãe Maria de Lourdes e a irmã  Mari...