Maria do Sol…
Pela frondosa Alameda de Paredes passávamos o Cruzeiro, a Junta Nacional dos Vinhos, o antigo Matadouro e chegávamos à capelinha da Senhora da Ajuda na entrada do Bairro de Paredes…
É a EN230 que por ali passa e em direção a Aveiro ainda lá tem a correnteza de casas a que chamavam o comboio…
Ali viveu Maria de Lurdes, mais conhecida por Maria do Sol, alcunha granjeada dos temps
em que trabalhou na cerâmica Guerra & Cruz, por nos momentos livres sempre procurar o sol!
Na casinha humilde do “comboio” nasceram seus cinco filhos, quatro rapazes: o António “Salazar”, o Herculano, o Candido (Peto) e o mais velho o Joaquim “Cabeças”… e a filha Felisbela, que originou este texto ao
connosco tomar uma cevada e se ter gerado uma animada conversa.
E fala-nos dos irmãos, dois deles tragicamente desaparecidos em acidente de motorizada: o António e o Herculano. O Cândido, pela mão do Sr. Duarte (pai de Manuel Alegre), foi levado para o Pejão para jogar futebol e por lá ficou e o Joaquim“Cabeças” trabalhou na Fábrica do Outeiro…
No Brasil tem o sobrinho António David da Graça, filho do António “Salazar”, que no país irmão é representante do Rio Grande do Sul e Paraná, no Conselho das Comunidades Portuguesas no Brasil…
Das aventuras e desventuras da Felisbela segue-se um corolário de pequenas histórias desde a sua ida para Moçambique, às viagens ao Brasil e ao namoro com vendedor de ferramentas que vinha do Porto a Águeda e por cá ficava durante a semana para visitar as já inúmeras fábricas da indústria de Águeda…
E a curiosidade está em que conheci o tal vendedor, que visitava a empresa onde fui sócio, e que um dia me confidenciou que tinha uma namorada em Paredes e quando na nossa conversa referi tal pessoa, a Felisbela logo disse que era ela a namorada!… Muitas histórias e o atribulado regresso de Moçambique com os filhos…uma está no Brasil e dela pouco nos diz, o rapaz em Lisboa e a mais nova na Suíça onde tem também a netinha que já visitou por diversas vezes…
Mas infelizmente a solidão invade-a e recentemente optou por passar os dia na Santa Casa da Misericórdia…
Destas memórias da simpática Felisbela, que muitos lembram enquanto funcionária dos serviços camarários nos WC da ponte velha, voltar à sua mãe Maria de Lurdes , a Maria do Sol… criada de fora na Casa do Adro… por quem Dona Pilar tinha muita estima… e para quem muita roupa lavou e estendeu nos areais do rio Águeda… onde o jovem Pedro ia espreitar os roliços e alvos “joelhos”meio mergulhados na água corrente e no bater da roupa na pedra… e dizem que ali nasceu uma paixão e nela se inspirou para o poema “Povo que Lavas no Rio” mais tarde eternizado na voz da “nossa” Amália…
Comentários
Enviar um comentário